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  • Alessandra Corrêa

Cuidado com seu ego.

Atualizado: 23 de jul. de 2023





Ao ser perguntada em uma sessão de mentoria online sobre como escolher entre ficar no emprego ou aceitar uma proposta recebida, uma amiga minha, empreendedora, mentora, consultora e conselheira grifou uma parte de sua resposta: cuidado com o ego. E ela está certíssima.


O ego é péssimo orientador, péssimo conselheiro.


É muito fácil confundir um ego inflado com autoconfiança. Ter autoconhecimento é essencial para saber fazer essa diferenciação.


A autoconfiança se alimenta, cresce e se fortalece com preparo, com trabalho duro e com os resultados que vêm desses esforços. Autoconfiança vem da consciência de que sempre há espaço para melhorias, vem do nosso trabalho em nós mesmos, da busca por estarmos e sermos cada vez melhores. Mesmo com erros e tropeços pelo caminho, se você é humilde, vai saber aprender com esses erros. Vai saber que o tropeço foi para te ensinar onde há pedras no caminho e evitá-las, contorná-las, escalá-las ou dinamitá-las na próxima vez. O que importa é que você vai estar mais preparado para lidar com elas quando elas surgirem no seu caminho. E elas vão surgir. Não há caminho sem pedras.


Já o ego, sua fonte de alimentação e de crescimento vem de fora. Ele precisa de elogios, de tapinhas nas costas, precisa de tratamento especial. Se o elogio não vem, o ego se abala. Por nos trazer uma falsa sensação de confiança, nos tornamos frágeis, susceptíveis, facilmente influenciados.


O ego nos afeta de diversas formas. Quando o deixamos crescer e quando passamos a precisar dele para nos sentir bem, é comum nos cercarmos de pessoas que concordem conosco. Se estamos em uma posição de liderança, montamos times e criamos ambientes em que não há espaço para o debate entre diferentes pontos de vista. Além de altamente negativo para nossas tomadas de decisão, esse comportamento cria ambientes em que a criatividade não consegue sobreviver.


O egocentrismo é considerado um viés cognitivo, ele interfere negativamente nas nossas decisões e pode ser prejudicial nas nossas negociações. Nossas percepções, interpretações, julgamentos, desejos e expectativas são formados de forma autocentrada, egoísta. Há estudos que mostram que, dependendo do papel que estamos desempenhando, os mesmos fatos e informações nos levam a conclusões e interpretações diferentes.


Em processos de tomada de decisão, é comum primeiro decidirmos por algo que nos beneficie e depois buscarmos argumentos que não apenas justifiquem nossa decisão, mas que, também, deem a ela um aspecto justo. Para justificarmos nossas decisões e continuarmos nos considerando pessoas justas, vamos ajustando os aspectos analisados para a tomada de decisão até que, aos nossos próprios olhos, estejamos com uma imagem o mais positiva possível.


O egocentrismo nos faz deixar de lado o ponto de vista, as opiniões, necessidades e expectativas do outro. Se deixarmos ele “correr solto”, ele pode escalar e nos levar a desconfiar do outro. Se a pessoa com quem estamos negociando faz uma demanda e estamos presos ao nosso próprio ponto de vista, é provável que suspeitemos de suas boas intenções e acreditemos que ele quer levar vantagem.


Isso tudo, é claro, é feito de forma inconsciente. O que fazer, então?


Fazer sempre um checklist: estou considerando o ponto de vista do meu interlocutor? Estou sendo egocêntrico? Estou deixando meu ego ser inflado por elogios ou forma de tratamento recebida? Estou criando um ambiente em que ideias diferentes são bem-vindas?


É normal ficarmos felizes ao receber elogios ou ao sermos tratados de forma a nos sentirmos especiais. O ego é parte de quem somos, mas é preciso que ele esteja sob constante vigilância.



Por Alessandra Corrêa

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